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Adenomiose

por Dr. Luíz Flávio Cordeiro

Adenomiose

A adenomiose é a doença caracterizada pela invasão benigna de células endometriais na camada intermediária do útero, formada por tecido muscular, chamada miométrio, provocando aumento do útero, inflamação crônica e outras complicações. A doença tem algumas semelhanças com a endometriose, mas não é tão conhecida e é pouco diagnosticada.

Para compreender melhor a doença, é importante conhecer a estrutura do útero, que é formado por três camadas:

Com o avanço dos exames diagnósticos por imagem, principalmente da ressonância magnética, foi possível verificar que entre o endométrio e o miométrio existe uma área chamada zona juncional e divide as duas camadas.

Sintomas

Os principais sintomas da adenomiose são:

Esses sintomas são inespecíficos e podem ser sinais de outros tipos de doença, como endometriose, miomas e sangramento uterino anormal, dificultando o diagnóstico. Assim sendo, é importante que a investigação seja minuciosa, englobando a pesquisa do histórico da paciente e de outros sinais.

No entanto, uma grande parte das mulheres com adenomiose são assintomáticas.

Causas e fatores de risco

As causas exatas da adenomiose ainda são desconhecidas. Supõe-se que podem estar relacionadas a mecanismos uterinos de “autotrauma”, como disperistalse ou hiperperistalse, que levam ao rompimento da zona juncional, assim como a fatores genéticos e imunológicos.

Os principais fatores associados são:

Idade

Embora a adenomiose possa se manifestar em qualquer momento da vida fértil da mulher, existe uma maior prevalência nas mulheres acima dos 40 anos.

Multiparidade

Também existe associação da adenomiose com a multiparidade. A prevalência de mulheres com adenomiose que tiveram filhos é maior do que em nulíparas, que nunca tiveram.

Os sintomas da adenomiose podem surgir alguns anos depois de uma cesárea devido à natureza invasiva do procedimento. Durante a cirurgia, pode haver uma lesão do endométrio e da zona juncional, possibilitando a invasão das células endometriais no miométrio.

Cirurgias uterinas

A realização de cirurgias uterinas, como curetagem ou qualquer outra intervenção que possa afetar o útero, pode aumentar o risco de adenomiose.

Outros

Entretanto, existe um crescente número de mulheres inférteis, ao redor de 30 anos de idade, diagnosticadas com adenomiose. Essa parte da população afetada constitui, hoje, o maior desafio no manejo dessa enfermidade, pois trata-se de mulheres que não devem fazer uso de medicações hormonais, uma vez que desejam engravidar, e tampouco podem ser submetidas a procedimentos cirúrgicos, uma vez que ainda não há um tratamento cirúrgico conservador (que preserve o útero) que seja efetivo no tratamento desta doença.

Diagnóstico

A investigação, o diagnóstico e o tratamento são individualizados, pois a doença se manifesta de forma particular em cada paciente. Uma anamnese bem estruturada é importante para orientar a solicitação de exames e o diagnóstico, mesmo que o exame clínico não tenha identificado indícios da doença.

O diagnóstico é baseado em dados clínicos, exames físico e de imagem. Os exames mais importantes são a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética, que possibilitam a avaliação da gravidade e mapeamento da doença para um planejamento da intervenção cirúrgica, quando indicada.

Tratamento

O tratamento da adenomiose tem como objetivos principais restabelecer a qualidade de vida da paciente e recuperar a fertilidade, caso a mulher tenha a intenção de engravidar. Assim sendo, o tratamento depende de alguns fatores: sintomas, gravidade da doença e planos de gravidez da mulher.

O tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico. O medicamentoso é feito com anti-inflamatórios para controle da dor e remédios à base de hormônios, quando não contraindicados, para controle dos sintomas.

Quando o tratamento medicamentoso não tem o efeito esperado ou ocorrem complicações ao longo do processo, indica-se o procedimento cirúrgico, realizado por laparoscopia, técnica minimamente invasiva que oferece inúmeras possibilidades cirúrgicas, uma delas a operação da adenomiose.

Infelizmente ainda não há opções de tratamento conservador definitivas, mas a ressecção endometrial histeroscópica, a ablação endometrial, a embolização das artérias uterinas e a ultrassonografia focada de alta frequência têm surgido como opções promissoras.

Também pode ser indicada a intervenção cirúrgica para retirada total do útero, chamada histerectomia, que tem sido evitada ao máximo. Só nos casos mais graves da doença e quando a mulher não tiver mais a pretensão de ter filhos que ela pode ser indicada.

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