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Laqueadura tubária

por Dr. Luíz Flávio Cordeiro

Laqueadura tubária

As tubas uterinas são órgãos do sistema reprodutor feminino fundamentais para a fertilidade. A cada ciclo menstrual, um óvulo é liberado pelo ovário, capturado pelas tubas uterinas e segue em direção ao útero. Nesse percurso, ele pode ser fecundado pelo espermatozoide.

A laqueadura ou ligadura tubária é um procedimento cirúrgico indicado para mulheres que não querem mais ter filhos. Trata-se de um método contraceptivo definitivo que promove a obstrução das tubas uterinas, impossibilitando o encontro do óvulo com o espermatozoide.

No procedimento cirúrgico, as tubas uterinas são cauterizadas e/ou cortadas ou ocluídas, impedindo a passagem dos óvulos e dos espermatozoides.

Esse procedimento envolve outras questões além da fertilidade, podendo ter consequências emocionais e sociais. A fertilidade é um aspecto importante da vida humana, e a laqueadura é um método de esterilização definitivo. Embora exista a reversão, nem sempre ela é possível ou bem-sucedida. Trata-se de uma decisão que deve ser consciente, sendo o médico responsável por esse esclarecimento.

Indicações e contraindicações da laqueadura

A principal indicação da laqueadura tubária é o desejo da paciente por uma contracepção definitiva. Quando um casal decide não ter mais filhos por qualquer razão, ela pode ser indicada. Muitas vezes, ela é realizada durante a cesariana para que não seja necessário fazer um novo procedimento.

Com o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida, nesse caso especificamente da fertilização in vitro (FIV), é possível ter filhos mesmo após a laqueadura, já que todo o processo de fecundação e cultivo embrionário é feito em laboratório.

Caso a mulher queira ter filhos naturalmente após a laqueadura, podemos indicar a reversão do procedimento, mas essa técnica depende de alguns fatores para ter bons resultados, principalmente das condições das fímbrias, que são as extremidades das tubas uterinas, pois elas são fundamentais para a fertilidade.

A laqueadura não pode ser indicada se a mulher estiver grávida (apenas durante a cesariana) e se a mulher tiver alguma doença ou qualquer outra condição que impossibilite o procedimento e a anestesia.

Aspectos legais

A legislação brasileira determina como condição obrigatória para a realização da esterilização cirúrgica da mulher a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido que registre a manifestação da vontade dela e do cônjuge, quando for o caso. Nesse documento, há diferentes esclarecimentos, como a dificuldade da reversão e a possibilidade de utilização de outros métodos que não sejam definitivos.

Ademais, a laqueadura tubária está regulamentada pela Lei n° 9.263/96, que rege o planejamento familiar, a qual define os critérios e as condições necessárias para sua realização (artigo 10):

  1. Mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por esquipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce;
  2. Risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório e assinado por dois médicos.

Ainda segundo a lei, faz-se imprescindível o registro da expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes.

Como é o procedimento

A laqueadura pode ser feita por laparotomia ou laparoscopia, utilizando-se anéis, clipes de titânio, fios de sutura, cauterização ou mesmo a salpingectomia (retirada das tubas).

Na laparotomia, faz-se uma pequena incisão no abdômen, na região suprapúbica, para acessar as tubas uterinas. Uma vez realizado esse procedimento, fazemos a obstrução utilizando a técnica escolhida.

A laparoscopia é o procedimento mais indicado para essa intervenção, assim como para muitas outras, em razão de sua taxa de sucesso, baixos riscos para a paciente e rápida recuperação. Trata-se de uma cirurgia minimamente invasiva, em que são feitas algumas incisões com menos de 1 cm no abdômen. Nessas incisões introduzimos um instrumento chamado laparoscópio, que tem uma câmera para guiar o cirurgião na hora da operação.

Depois de feitas as incisões e introduzidos os instrumentos necessários, fazemos a obstrução utilizando o método selecionado previamente. A laparoscopia tem rápida recuperação e é menos agressiva que a laparotomia, sendo a mais indicada.

A laqueadura também pode ser feita no momento da cesariana ou logo depois de um parto normal. Na cesariana, em que a região abdominal já está aberta, o cirurgião consegue, estando tudo previamente preparado e acordado, com os devidos documentos assinados, fazer a obstrução tubária. No caso do parto normal, esse procedimento pode ser realizado por uma pequena incisão na região umbilical, por meio da qual se pode acessar as tubas uterinas.

Sucesso na contracepção

A laqueadura é um método de esterilização definitivo. A taxa de falha é de 0,5 caso a cada 1000 mulheres por ano. Assim sendo, a mulher só conseguirá ter filhos mediante técnicas de reprodução assistida ou depois da reversão da laqueadura, que nem sempre pode ser feita ou obtém bons resultados.

Dessa forma, essa é uma decisão que deve ser tomada de forma consciente, com todos os esclarecimentos pertinentes feitos pelo médico e de comum acordo com o cônjuge, caso ela seja casada.

O sucesso é extremamente alto. Um número reduzido de mulheres engravida naturalmente depois do procedimento; destas, cerca de 30% apresenta gestação ectópica.

Muitas mulheres se arrependem ou passam por situações que as fazem reconsiderar e procurar a reversão da laqueadura, sendo essa taxa de cerca de 20,3% em mulheres com menos de 30 anos, caindo para 5,9% naquelas com mais do que 30 anos. Assim sendo, se houver dúvida, o mais indicado é a utilização de métodos contraceptivos reversíveis.

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