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Salpingectomia

por Dr. Luíz Flávio Cordeiro

Salpingectomia

As tubas uterinas ou trompas de Falópio (termo antigo) são órgãos do sistema reprodutor feminino fundamentais para a fecundação. Sua principal função é captar o óvulo do ovário e permitir a sua passagem até o útero. Nesse percurso, ele pode ser fecundado pelo espermatozoide, que vem do útero e entra nas tubas uterinas. Assim sendo, os gametas masculino (espermatozoide) e feminino (óvulo) se movem em direção ao mesmo ponto vindos de locais opostos e se encontram nas tubas uterinas, onde pode ocorrer a fecundação.

O resultado da concepção é o zigoto ou pré-embrião, estágio que antecede a fase de divisão celular. No zigoto, observamos apenas os dois pronúcleos, o feminino e o masculino, antes de sua fusão. Depois da união dos dois pronúcleos, o zigoto começa a divisão celular, passando a ser denominado embrião, que se desenvolve ao longo da gestação.

A salpingectomia é o procedimento cirúrgico de remoção de uma (unilateral) ou das duas tubas uterinas (bilateral), procedimento cirúrgico que pode ser realizado simultaneamente com outros, como a ooforectomia (retirada de um ou de ambos os ovários) e a histerectomia (retirada do útero), e/ou durante uma cesárea.

Métodos de realização da salpingectomia

A salpingectomia pode ser realizada em duas modalidades: laparotomia ou laparoscopia, método minimamente invasivo mais indicado atualmente, em virtude de suas inúmeras vantagens.

A laparotomia é a cirurgia tradicional. Realiza-se uma grande incisão no abdômen e o cirurgião opera a olho nu, sem o apoio de um aparelho endoscópico e vídeo. A laparotomia foi e ainda é muito realizada, mas apresenta diversas desvantagens, como cicatrizes mais evidentes, maior tempo de recuperação da paciente e maiores riscos de modo geral.

A laparoscopia, que é uma cirurgia minimamente invasiva, utiliza um instrumento endoscópico – o laparoscópio – e um monitor como apoio para a realização da intervenção. Na laparoscopia, são feitas pequenas incisões na região abdominal da paciente para a introdução de instrumentos necessários ao procedimento e a microcâmera, que captura as imagens e as reproduz no monitor que está sendo acompanhado pelo cirurgião. A laparoscopia também oferece alguns riscos, mas complicações graves são muito raras. A paciente fica com cicatrizes praticamente imperceptíveis e volta à sua rotina em poucos dias.

A indicação da modalidade cirúrgica é feita pelo médico após avaliação detalhada das afecções ou alterações que estejam afetando os órgãos a serem extraídos.

Indicações

A salpingectomia é indicada nas seguintes situações:

Ela também pode ser indicada como método contraceptivo, como uma modalidade de laqueadura. No entanto, não recomendamos cirurgias como métodos contraceptivos, principalmente quando a mulher ou o homem são jovens. O contexto de vida muda e é comum o arrependimento. Existem outros métodos contraceptivos tão efetivos quanto a cirurgia, não definitivos ou invasivos.

Existem outras indicações. O médico é o profissional que consegue analisar cada caso e propor a melhor conduta terapêutica, após uma investigação detalhada da paciente.

Sempre procure auxílio médico quando perceber sintomas e alterações no corpo.

Como é feito o procedimento

A primeira etapa do procedimento é a preparação, que varia de acordo com a modalidade da cirurgia, se laparotomia ou laparoscopia – cada uma delas tem um preparo específico orientado pelo médico –, a idade da paciente e os motivos da indicação do procedimento.

Na laparotomia, a mulher é internada e recebe a anestesia geral pouco antes do início do procedimento. Na sala de cirurgia, o cirurgião faz uma longa incisão no abdômen inferior e realiza o procedimento a olho nu. Por essa incisão ele consegue acessar a região interna da pelve e retirar uma ou as duas tubas uterinas, dependendo da indicação.

Depois de finalizado o procedimento, o cirurgião faz a sutura e a mulher segue para o quarto para se recuperar. Ela só é liberada do hospital depois de recuperada da anestesia e se estiver clinicamente bem.

A salpingectomia por laparoscopia é um procedimento minimamente invasivo, realizada sob anestesia geral. A mulher, normalmente, fica internada apenas por apenas um dia.

Na laparoscopia, pequenas incisões são feitas no abdômen, por onde são introduzidos o laparoscópio, equipamento endoscópico dotado de uma câmera e luz para registro de imagens, e outros instrumentos necessários à realização da intervenção, como insuflador de gás, trocartes, cânulas, pinças para apreensão e dissecação, dissectores, tesouras, coaguladores e invólucros para extração dos materiais que devem ser retirados.

O insuflador de gás é introduzido inicialmente para expandir a cavidade interna e facilitar a visualização de toda a região.

Depois do procedimento, as pequenas incisões são fechadas e a mulher é encaminhada para o quarto a fim de se recuperar. Apenas quando se recupera da anestesia e está clinicamente bem é liberada do hospital.

Os dias seguintes requerem algum cuidado para evitar complicações. Siga todas as recomendações de seu médico, pois elas visam à sua segurança e recuperação mais rápida.

Em poucos dias a mulher consegue retomar suas atividades diárias.

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