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Climatério e menopausa: quais as diferenças?

Climatério e menopausa: quais as diferenças?

por Dr. Luíz Flávio Cordeiro

Climatério e menopausa são termos frequentemente confundidos. Embora eles tenham relação e representem uma fase da vida feminina, designam diferentes eventos.

Climatério é um período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. Ou seja, inicia no fim do período fértil, na pré-menopausa e se estende até a pós-menopausa. Tem como principal característica alterações hormonais e metabólicas associadas a sintomas que podem impactar a qualidade de vida e aumentar o risco de doenças crônicas.

Já menopausa é o termo utilizado para definir a última menstruação, tratando-se, pois, de um evento dentro do período do climatério, dividindo-o em pré e pós-menopausa.

Para saber mais sobre menopausa e climatério, continue a ler este texto. Ele explica como a menopausa acontece e aborda os principais sintomas manifestados durante o climatério.

O que é menopausa?

Na maioria dos casos, a menopausa é um evento que ocorre entre 45 e 55 anos e é diagnosticada após 12 meses de amenorreia, ou seja, ausência de menstruação. Surge como resultado da depleção folicular ovariana.

Ao contrário dos homens, em que a produção de espermatozoides é um processo que dura durante toda a vida, as mulheres nascem com uma reserva ovariana, que possui cerca de dois milhões de folículos e reduz para mais ou menos 500 mil durante a puberdade, momento em que ocorre a primeira menstruação (menarca).

A cada ciclo menstrual, estimulados por diferentes hormônios, vários folículos são recrutados, embora apenas, normalmente, um amadureça para posteriormente ovular. Os que não ovulam são naturalmente eliminados como parte da seleção natural, em processo chamado de atresia folicular.

Dessa forma, gradativamente, eles vão diminuindo, até que a população folicular esteja tão reduzida que os ovários entram em “falência”: concentrações de hormônios como estrogênio e progesterona diminuem consideravelmente, levando à ausência de menstruação.

Quando a menopausa acontece precocemente, antes dos 40 anos, a condição é conhecida como falência ovariana precoce (FOP), motivada, geralmente, por alterações genéticas ou doenças autoimunes.

No entanto, a menopausa precoce também pode resultar de causas médicas, incluindo as terapias para o tratamento de neoplasias, ou de cirurgia, como ooforectomia, quando há remoção de um ou ambos os ovários.

A menopausa é frequentemente anunciada por diferentes sintomas, que podem começar a se manifestar quando o climatério inicia.

Climatério e sintomas manifestados durante o período

As alterações hormonais, comuns ao período de climatério, provocam a manifestação de diversos sintomas. Eles variam em intensidade e anunciam a chegada da menopausa.

A pré-menopausa, que marca o início do climatério, dura entre 4 e 5 anos. Os sintomas mais comuns associados ao período são irregularidades menstruais, caracterizadas por ciclos inicialmente mais curtos e posteriormente mais longos, menstruação que ocorre com maior ou menor frequência e quantidade de fluxo alterada. Outros sinais e sintomas também podem surgir, eles incluem:

  • Fogachos (ondas de calor): um dos principais sintomas do climatério, o fogacho é um fenômeno vasomotor caracterizado por ondas de calor que surgem subitamente, provocando uma sensação de aquecimento na face, pescoço e parte superior do tronco.
  • Osteopenia e/ou osteoporose: a perda óssea é maior a partir da menopausa. Com isso, um percentual de mulheres pode desenvolver osteoporose, aumentando a possibilidade de fraturas.
  • Alterações na função sexual: com a diminuição dos hormônios sexuais, há uma alteração na mucosa da vagina, levando à redução da lubrificação e ressecamento vaginal. Pode haver ainda dor durante a relação sexual (dispareunia) ao mesmo tempo que a resposta à estimulação clitoriana e a libido podem diminuir.
  • Alterações no trato urinário: a diminuição dos hormônios, ao mesmo tempo, afeta a mucosa da uretra, resultando em dificuldades para esvaziar a bexiga, urgência de micção, dor ao urinar e incontinência urinária. As infecções urinárias também se tornam mais frequentes.
  • Alterações na imagem corporal: alterações hormonais resultam, ainda, em redistribuição da gordura corporal, principalmente na região abdominal, perda de colágeno, causando mudanças na pele, cabelos e unhas.
  • Alterações psíquicas: a redução dos níveis hormonais interfere na liberação de neurotransmissores que atuam no sistema nervoso central, resultando em transtornos emocionais como ansiedade ou depressão, e em variação do humor.
  • Alterações cardiovasculares: o risco de doenças cardiovasculares aumenta após a menopausa. Eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), estão entre as principais causas de morte feminina após a menopausa.

Ainda que os sintomas do climatério possam impactar bastante a qualidade de vida, para suavizá-los e evitar a ocorrência de eventos mais sérios como osteoporose e doenças cardiovasculares, uma mudança no estilo de vida é fundamental, incluindo, nesse caso, a prática regular de exercícios físicos, alimentação balanceada, parar de fumar e diminuir o consumo de café e álcool.

Além disso, a terapia hormonal pode prevenir ou mesmo evitar a ocorrência de boa parte deles. A fase do climatério mais adequada para iniciar o tratamento, assim como os casos em que ele é indicado, devem ser definidos por um especialista.

Saiba mais sobre a terapia hormonal, tocando aqui.

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