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Fímbrias: o que são e sua importância para a fertilidade

Fímbrias: o que são e sua importância para a fertilidade

Dr. Luiz Flávio

Antes que uma gravidez seja confirmada, existe um complexo processo reprodutivo que envolve várias etapas, desde a gametogênese — produção e desenvolvimento dos gametas (óvulos e espermatozoides) — até o momento em que o embrião se implanta no útero. Em todo esse processo, cada parte do sistema reprodutor feminino tem importante função, incluindo as fímbrias.

Para que a concepção seja bem-sucedida, é necessário que os órgãos da mulher — útero, ovários e tubas uterinas — estejam sem anormalidades. Qualquer alteração nessas estruturas pode reduzir ou até impedir as chances de gravidez, a exemplo de malformações congênitas, doenças adquiridas e até determinados procedimentos cirúrgicos.

Neste post, vamos explicar o que são as fímbrias e qual é a função dessas estruturas no processo de reprodução humana. Confira!

O que são as fímbrias?

As fímbrias são prolongamentos em formato de franjas, situados nas extremidades das tubas uterinas. Elas se “abrem” na cavidade peritoneal, próximo aos ovários, e têm papel fundamental no momento da ovulação.

Para explicar com mais clareza o que são as fímbrias, precisamos falar sobre as tubas uterinas. São órgãos do sistema reprodutor feminino, cuja função é fazer a captura e o transporte do óvulo. Assim, as tubas localizam-se uma de cada lado do útero e fazem a ligação entre os ovários e a cavidade uterina.

Também é nas tubas que a fecundação acontece e o embrião começa a se desenvolver. Enquanto passa pela fase de clivagens (divisões celulares), o embrião se desloca pela tuba em direção ao útero. Por volta do quinto dia de desenvolvimento embrionário, ocorre a implantação na parede uterina, sendo esse o marco inicial da gravidez.

Conforme a divisão anatômica, as tubas uterinas são constituídas por 4 partes: intramural, istmo, ampola e infundíbulo. A parte intramural atravessa a parede do útero e se abre na cavidade do órgão. O istmo é a porção mais fina do tubo muscular, adjacente à área intramural. A ampola é a parte mais dilatada e prolongada das tubas, onde o óvulo é fertilizado. O infundíbulo, por fim, ocupa a extremidade distal, aproximando-se do ovário.

As fímbrias estão localizadas no infundíbulo, portanto, estão bem próximas aos ovários, mas não estão ligadas a eles. Elas são finas terminações que se projetam em direção aos ovários, dentre as quais uma se destaca por ser mais longa, sendo chamada de fímbria ovárica.

Qual é a função das fímbrias?

As fímbrias têm a função de captar o óvulo quando ele é liberado pelo ovário. O processo de ovulação ocorre na metade do ciclo menstrual — cerca de duas semanas após o início da menstruação, em ciclos regulares. Para que isso aconteça 4 substâncias agem de forma alternada: os hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH), secretados pela glândula hipofisária, e os hormônios estrogênio e progesterona, produzidos nos ovários.

As tubas uterinas são tubos musculares de grande mobilidade. Assim, quando a ovulação acontece, as fímbrias se movimentam, captam o óvulo e o carregam para o interior da tuba. Assim, esta mobilidade tubária é fundamental para este processo. O transporte do óvulo e, posteriormente, do embrião é facilitado devido às contrações musculares que ocorrem na tuba e com o auxílio da atividade das células ciliadas presentes no órgão. 

Após ser captado pelas fímbrias, o óvulo permanece no interior da tuba uterina pelo período de até 1 dia. Nesse tempo, há grandes chances de concepção, caso a mulher mantenha relações sexuais sem uso de método contraceptivo. Os espermatozoides são introduzidos no sistema reprodutor feminino com a ejaculação e migram até as tubas, onde encontra o óvulo para fertilizá-lo.

O que pode alterar a função das fímbrias e reduzir a fertilidade?

Não apenas as fímbrias, mas também as tubas uterinas em seu todo, podem ter suas funções prejudicadas por algumas condições, como doenças que provocam distorção anatômica, obstrução, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), malformações congênitas e cirurgias.

Podemos citar como causa de alterações tubárias as seguintes condições:

A cirurgia de contracepção feminina definitiva, chamada de laqueadura ou ligadura das trompas, pode ser realizada com diferentes métodos, os quais consistem em excisar ou obstruir as tubas uterinas. Dessa forma, os espermatozoides não conseguem chegar até o óvulo para fecundá-lo.

Esse tipo de cirurgia nem sempre é indicado, devido ao seu caráter definitivo. Recomenda-se, primeiramente, que a mulher considere os métodos contraceptivos reversíveis, de curto ou longo prazo, como anticoncepcionais orais e injetáveis, dispositivo intrauterino (DIU), entre outros.

Quando a mulher opta pela laqueadura, é possível que ela se arrependa após alguns anos, devido à formação de uma nova família com outro companheiro, perda de um filho ou outras razões. Nesses casos, existe a possibilidade de fazer a reversão da laqueadura. 

Entretanto, o sucesso da cirurgia de reversão depende de alguns fatores, como: idade da mulher, método que foi empregado na laqueadura e situação das fímbrias. Nos casos em que as fímbrias foram retiradas ou danificadas, não é possível recuperar a função tubária e a fertilidade feminina, sendo indicado um tratamento de reprodução humana assistida com a técnica de fertilização in vitro (FIV).

Agora que você já sabe quais são as funções das fímbrias, leia também o texto que explica como é feita a histerossalpingografia — exame para avaliação das tubas uterinas.

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