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Sinequias: sintomas e o que podem provocar

Sinequias: sintomas e o que podem provocar

por Dr. Luiz Flávio Cordeiro Fernandes

O aparelho reprodutor feminino é composto por diversos órgãos que, juntos, formam um sistema complexo, em que o funcionamento de cada peça é fundamental. Dentro desse sistema, o útero exerce um papel fundamental, de receber e abrigar o embrião até o fim da gravidez.

Além disso, o útero está conectado a diversos outros órgãos, como as tubas e ovários e o canal vaginal. Doenças que acometem o útero, portanto, podem acabar atingindo outros órgãos, além de causar infertilidade, na medida em que dificultam o transporte dos espermatozoides até o óvulo ou a implantação do embrião no endométrio.

Uma das doenças que podem ocorrer na cavidade uterina são as chamadas sinequias uterinas, aderências que unem paredes opostas do útero e podem causar dores, alteração menstrual, infertilidade e outras complicações. Para saber mais sobre o assunto, confira este artigo, que preparamos para você.

O que são sinequias uterinas?

Também chamadas de síndrome de Asherman, sinequias são aderências encontradas dentro do útero, ligando as paredes intrauterinas e, assim, reduzindo o espaço interno do órgão. Elas são classificadas em três níveis de gravidade:

Leves: são membranas simples, formadas somente por tecido endometrial (sendo o endométrio a mucosa que reveste o útero por dentro);
Moderadas: estas são mais espessas, pois são formadas por tecido fibromuscular revestido pelo endometrial;
Severas: são compostas somente por tecido conectivo denso.

As sinequias são uma condição adquirida, ou seja, surgem ao longo da vida da mulher, normalmente após algum tipo de intervenção no útero, como curetagem, cesariana e miomectomia (cirurgia para remoção de miomas). Elas podem ocorrer também em decorrência de infecções e tratamento de radioterapia.

Quais são os sintomas?

As sinequias uterinas podem obstruir parcial ou totalmente a cavidade do útero e/ou o canal cervical, podendo causar alguns sintomas, como:

Alterações dos ciclos menstruais, como amenorreia (ausência da menstruação) e hipomenorreia (fluxo escasso);
Infertilidade, devido às obstruções causadas pelas aderências, que impedem a chegada do espermatozoide ao óvulo ou dificultam a implantação do embrião no útero. Quanto mais severo o quadro de sinequias, maior sua interferência na fertilidade da mulher;
Abortos de repetição, também causados por falhas de implantação ou pela falta de espaço na cavidade uterina;
Cólicas ou dores pélvicas crônicas.

Existem aderências intrauterinas (sinequias)que não causam sintomas.

Quais as consequências da doença?

Uma das principais complicações causadas pelas sinequias são os abortamentos. Eles podem ocorrer pela dificuldade de implantação do embrião na parede uterina, uma vez que o espaço no útero fica reduzido, ou pela dificuldade de expansão da cavidade uterina.

Em outros casos, a doença pode causar parto prematuro, placenta acreta (quando a placenta se conecta muito profundamente ao útero) e gravidez ectópica (quando o embrião se aloja fora do útero, normalmente nas tubas uterinas).

Como é feito o diagnóstico?

Os sintomas das sinequias são comuns a outras doenças do sistema reprodutor feminino, portanto o diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, principalmente:

Ultrassonografia transvaginal: apesar de apresentar imagens pouco específicas para o diagnóstico das sinequias uterinas, a ultrassonografia permite a avaliação da cavidade intrauterina como um todo, inclusive para a avaliação pré-operatória;
Histerossalpingografia: exame de raio-X com o uso de contraste e auxílio de um cateter, é uma importante ferramenta para a investigação da infertilidade;
Histeroscopia diagnóstica: é o exame mais preciso para o diagnóstico de sinequias uterinas e, por isso, o mais utilizado.

Qual o tratamento adequado?

Quando as sinequias não causam sintomas, sejam eles relacionados a irregularidades menstruais, infertilidade ou abortamentos, não é necessário tratá-las. Já para as pacientes sintomáticas, o tratamento indicado normalmente é cirúrgico, para remover as aderências, com o objetivo de fazer com que o útero volte a sua forma normal.

Dessa maneira, além de melhorar as dores e a regularidade dos ciclos menstruais, é restabelecida a comunicação entre o útero e as tubas uterinas, bem como ao canal cervical, possibilitando a restauração da fertilidade.

A técnica mais utilizada para tratamento das aderências é a histeroscopia, que permite boa visualização intrauterina e a realização de procedimentos cirúrgicos. Em casos mais graves, quando as aderências são mais densas, é comum que seja necessário fazer mais de um procedimento.

Alguns meses após o tratamento cirúrgico, a paciente deve fazer uma reavaliação, também por histeroscopia, para verificar se não surgiram sinequias pós-operatórias. Para evitar o aparecimento de novas aderências, é possível ainda utilizar tratamento farmacológico (com estrogênios ou progesterona) ou a colocação de DIU para manter as paredes uterinas afastadas, embora não exista comprovação de que esse método seja eficaz.

Para diagnosticar e tratar as sinequias uterinas assim que possível é fundamental fazer o acompanhamento regular e exames de rotina com o seu ginecologista. Se quiser saber mais sobre o assunto, toque aqui.

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